MENSURAÇÃO DA FILA DE CIRURGIAS ELETIVAS NO SUS: LIMITES ANALÍTICOS
DOI:
https://doi.org/10.63026/acertte.v5i12.288Palavras-chave:
Fila cirúrgica. SUS. Governança de dados. Interoperabilidade. Inteligência artificial.Resumo
A mensuração da fila de cirurgias eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS) permanece, em 2025, um desafio técnico, metodológico e institucional amplamente reconhecido na literatura e em documentos oficiais do Ministério da Saúde. Apesar da implementação de programas federais voltados à redução da demanda reprimida, como o Programa Nacional de Redução de Filas (PNRF) e o Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE), o SUS ainda carece de uma infraestrutura integrada de dados capaz de registrar, consolidar e analisar, de forma padronizada e auditável, informações sobre solicitações cirúrgicas, tempos de espera e procedimentos realizados. Este artigo demonstra que os principais sistemas atualmente utilizados para a gestão da fila cirúrgica — SISREG, SIH/SUS, e-SUS APS e os painéis DRAC/DATASUS — apresentam fragmentação estrutural, inconsistências de preenchimento e baixa interoperabilidade, inviabilizando a construção de séries temporais nacionais confiáveis. A ausência de identificadores únicos de solicitação, a heterogeneidade na alimentação municipal dos dados e a inexistência de ferramentas analíticas baseadas em ciência de dados e inteligência artificial configuram gargalos críticos para a governança da regulação cirúrgica no país. Com base em referenciais contemporâneos de governança de dados em saúde e em experiências internacionais, propõe-se um conjunto de ações estruturantes voltadas à padronização nacional, integração sistêmica, uso de machine learning e abertura de dados por meio de APIs públicas. Conclui-se que, sem reformas profundas na arquitetura informacional do SUS, o Brasil permanecerá incapaz de medir adequadamente sua demanda reprimida por cirurgias eletivas, comprometendo o planejamento cirúrgico e a gestão da capacidade instalada.
Downloads
Referências
AUSTRALIAN INSTITUTE OF HEALTH AND WELFARE. Elective surgery waiting times 2022–23. Canberra: AIHW, 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de regulação do acesso no SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Estratégia de transformação digital da saúde (2020–2028). Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual técnico do SISREG – Sistema de Regulação. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
BRASIL. Ministério da Saúde. Nota técnica nº 6/2020: recomendações para suspensão de cirurgias eletivas durante a pandemia de COVID-19. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 1.189, de 5 de setembro de 2023. Institui o Programa Nacional de Redução de Filas – PNRF. Diário Oficial da União: Brasília, 6 set. 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Mais Acesso a Especialistas – PMAE. Brasília: Ministério da Saúde, 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. SIH/SUS – Sistema de Informações Hospitalares: manual técnico. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
CANADA. Health Canada. Wait times for priority procedures in Canada. Ottawa: Government of Canada, 2022.
CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE (CONASS). Pandemia COVID-19: impacto na atenção hospitalar e no acesso a procedimentos eletivos no SUS. Brasília: CONASS, 2021.
COVIDSURG COLLABORATIVE. Elective surgery cancellations due to the COVID-19 pandemic: global predictive modelling. British Journal of Surgery, v. 107, p. 1440–1449, 2020.
DATASUS. Catálogo DRAC: painéis públicos e sistemas de informação. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://controleavaliacao.saude.gov.br. Acesso em: 17 nov. 2025.
DENMARK HEALTH AUTHORITY. National waiting time registry: annual report 2023. Copenhagen: Danish Health Authority, 2023.
JARRETT, C.; LUKAS, C.; NICHOLSON, D. Artificial intelligence in health service management: opportunities and risks. The Lancet Digital Health, v. 5, n. 2, p. e121–e133, 2023.
NHS ENGLAND. Consultant-led referral to treatment (RTT) waiting times statistics. London: NHS, 2023.
ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD). Health data governance for the digital age. Paris: OECD Publishing, 2021.
ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD). Tackling the backlog of elective surgeries after COVID-19. Paris: OECD Health Policy Studies, 2022.
ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD). Waiting times for health services: next in line. Paris: OECD Health Policy Studies, 2020.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Transformação digital do setor saúde nas Américas. Washington, DC: OPAS, 2023.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS); BRASIL. Ministério da Saúde. Análise da capacidade regulatória do SUS. Brasília: OPAS/MS, 2022.
RUBIN, N.; DAVIDSON, P.; BOLTON, L. Surgical waiting lists: measurement, management and policy lessons. Journal of Health Services Research & Policy, v. 25, n. 4, 2020.
MACHADO, Telma Silva; DE LIBERAL, Marcia Mello Costa. Gestão da Qualidade em Saúde: serviços de atendimento pré e pós-hospitalar. Revista Científica ACERTTE, v. 4, n. 3, p. e43180-e43180, 2024. DOI: https://doi.org/10.63026/acertte.v4i3.180
TOPOL, E. Deep medicine: how artificial intelligence can make healthcare human again. New York: Basic Books, 2019.
Downloads
Publicado
Como Citar
Licença
Direitos de Autor (c) 2025 REVISTA CIENTÍFICA ACERTTE - ISSN 2763-8928

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Os direitos autorais dos artigos/resenhas/TCCs publicados pertecem à revista ACERTTE, e seguem o padrão Creative Commons (CC BY 4.0), permitindo a cópia ou reprodução, desde que cite a fonte e respeite os direitos dos autores e contenham menção aos mesmos nos créditos. Toda e qualquer obra publicada na revista, seu conteúdo é de responsabilidade dos autores, cabendo a ACERTTE apenas ser o veículo de divulgação, seguindo os padrões nacionais e internacionais de publicação.



