OBSERVAÇÃO EMPÍRICA E RACIONALIDADE CIENTÍFICA: DE POPPER A LAKATOS
DOI:
https://doi.org/10.63026/acertte.v6i2.327Palavras-chave:
Observação empírica. Filosofia da ciência. Karl Popper. Falseabilidade. Racionalidade científica. Imre Lakatos.Resumo
Este artigo analisa o papel da observação empírica na construção e validação do conhecimento científico, com ênfase na contribuição da filosofia da ciência de Karl Popper. Inicialmente, reconstrói-se o debate epistemológico desde a tradição aristotélica até o empirismo moderno, destacando as transformações ocorridas na compreensão da relação entre experiência, razão e investigação científica. Em seguida, examina-se o problema da indução formulado por David Hume e as tentativas do positivismo lógico de fundamentar a cientificidade por meio do critério de verificabilidade. A partir desse contexto, são analisadas as críticas de Popper ao verificacionismo e sua proposta de substituir a lógica da confirmação pelo princípio da falseabilidade. Argumenta-se que a principal contribuição popperiana consiste na formulação de um modelo de racionalidade científica baseado no falibilismo, na crítica sistemática e na permanente possibilidade de refutação das teorias. O artigo também discute a influência dessas ideias na metodologia econômica, destacando tanto as contribuições do falsificacionismo para o rigor empírico quanto as dificuldades de sua aplicação aos fenômenos sociais. Por fim, examina-se a ampliação proposta por Imre Lakatos por meio da metodologia dos programas de pesquisa científica, que incorpora a dimensão histórica do desenvolvimento das teorias sem abandonar a exigência de avaliação crítica. Conclui-se que a objetividade científica decorre menos da obtenção de certezas definitivas do que da adoção de procedimentos metodológicos que favoreçam a revisão contínua do conhecimento.
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